• Tiago Rodrigues Benedetti

A matemática mental da procrastinação

Atualizado: há 5 dias

Se você já deixou alguma tarefa que você deveria fazer agora para fazer depois, você já procrastinou. E pode ficar em paz com isso, a procrastinação é um comportamento normal e natural para o ser humano. Todo mundo procrastina algumas tarefas de vez em quando.



O problema da procrastinação é que você começa a deixar tarefas e atividades importantes para depois e esse depois não acontece. O que era uma tarefa ou atividade passa a ser um problema. E se você é um estudante que procrastina as suas atividades de estudo, saiba que você vai pagar um preço por isso em algum momento.


Sabe qual é a SOLUÇÃO para esse problema? É CONHECER o problema para LIDAR com o problema.


Pensando nisso, criei uma série de 3 aulas sobre procrastinação. Nessas aulas eu vou te explicar uma "matemática mental" por trás do comportamento de procrastinação para você entender esse problema e interferir (positivamente) nesse problema. Eu vou usar o termo "matemática mental" para justificar os processos de tomada de decisão que acontecem nos bastidores do comportamento de procrastinação. Sempre que eu falar disso, imagine aquele meme clássico da Nazaré Tedesco:


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Vou deixar aqui a sequência dessas 3 aulas sobre procrastinação. Saiba que elas são bem recheadas de conteúdo, então recomendo que você use um caderno, ou papel, e canetas para fazer algumas anotações. E vamos combinar uma coisa? Não deixe para depois. Assista PELO MENOS a primeira aula AGORA. Depois não, agora. Agora, nesse exato momento. Você já apertou o play?



E aí, essa primeira aula fez sentido? Deixou as coisas mais claras? Já fez a sua matemática mental? Perceba que por trás de tudo isso existe uma questão a respeito de TOMAR DECISÕES. Procrastinar uma atividade ou tarefa é basicamente uma decisão que você tomou. Você decidiu não fazer alguma coisa agora. Isso é uma decisão, embora possa ser inconsciente.

Finalizando a gravação dessa segunda aula, tive um pequeno insight para mais alguns pontos que achei pertinente abordar. Então segura o fôlego e aproveite que você ainda está por aqui para seguir adiante com mais uma aula, dessa vez mais curta, para afetar o teu parâmetro de distância e ajudar o monstrinho na decisão de apertar play na próxima aula agora mesmo!

E aí, agora que você viu as três aulas, entendeu o problema da procrastinação? Aprendeu o suficiente para INTERFERIR em momentos em que esse comportamento possa aparecer na sua rotina? A ideia dessas aulas não é só propor uma solução, mas propor uma ferramenta mental para lidar conscientemente e deliberadamente com situações com potencial procrastinação. A "ferramenta" em si é a tabela (ou placar) da procrastinação.


Para fixar um pouco melhor tudo isso, vou repassar por aqui em texto alguns pontos vistos nas aulas. Pense que é uma espécie de revisão de conteúdo para reforçar aquilo que mais importa dentro dessas 3 aulas que você acabou de ver.


Por que, às vezes, a gente decide não fazer alguma coisa? Por que, às vezes, a gente “prefere” enrolar e deixar para depois?


A decisão de não fazer uma tarefa é resultado de uma espécie de “cálculo” que o seu cérebro faz. Nesse cálculo o cérebro relaciona o BENEFÍCIO (valor) da tarefa e a sua MOTIVAÇÃO para conseguir esse benefício. Se o cérebro não encontra motivo para conseguir o suposto benefício da tarefa, é provável que você escolha não fazer essa tarefa agora, procrastinando, ou seja, deixando para depois.


Nosso cérebro pensa em custo-benefício o tempo todo. Para o cérebro é importante sempre se perguntar se “vale a pena fazer esse esforço considerando o que vou receber em troca?”


O benefício (valor) de uma tarefa ou atividade tem relação com a percepção de valor, com a percepção de custo-benefício. Tudo isso se relaciona com um SISTEMA DE RECOMPENSA associado a tarefa ou atividade em questão. Lá na primeira aula eu te mostrei como isso afeta a sua matemática mental da procrastinação.


Qualquer tarefa que exija um mínimo de esforço passa por esse “cálculo” mental que o cérebro faz no seu inconsciente. Nesse cálculo o cérebro se pergunta coisas como:


- Será que vale a pena eu fazer isso?

- O que eu vou ganhar com isso?

- Tá, mas será que eu preciso fazer isso agora?

- Será que essa tarefa não vai me custar demais?


Por vezes, a procrastinação tem uma relação com o imediatismo dos nossos desejos, por isso, deixamos algumas tarefas para depois. Aquilo que vai custar energia e não vai trazer uma recompensa imediata acaba “perdendo pontos” nesse “cálculo” que o cérebro faz. E lembre-se que lá no fundo do teu cérebro, afetando toda essa "matemática" tem o MONSTRINHO.


Como que está o monstrinho que vive aí no teu inconsciente? Ele tá domado? Tá domesticado? Tá jogando a favor ou contra? Tá te sabotando?

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O SISTEMA DE RECOMPENSA


O SISTEMA DE RECOMPENSA associado a procrastinação é influenciado por 3 fatores que o cérebro calcula em poucos instantes, dando a uma tarefa/atividade uma espécie de PONTUAÇÃO:


1. Valor da recompensa (se for grande ganha pontos, se for pequena perde pontos)

2. Distância da recompensa (se for imediata ganha pontos, se for demorada perde pontos)

3. Esforço pela recompensa (se for fácil de fazer ganha pontos, se for trabalhoso/demorado, perde pontos)


Como interferir (positivamente) nessa matemática procrastinadora?


A grande coisa aqui é a percepção real do VALOR das tarefas e atividades que você tem que fazer (ou que quer evitar agora). Qual é o valor de estudar? E qual é o prejuízo por não estudar? O que eu vou ganhar fazendo isso? O cérebro inconscientemente “calcula” essa relação entre o VALOR por fazer ou o PREJUÍZO por não fazer ou o PROBLEMA a ser evitado ao fazer alguma coisa.


Probabilidade... e se eu não conseguir?


O “cálculo” da procrastinação envolve ainda a questão da probabilidade de conseguir ou não a suposta recompensa. Qual a confiança que eu tenho que vou alcançar a suposta recompensa? Vale a pena mesmo esse esforço, a recompensa está dentro das minhas possibilidades? Será que adianta mesmo eu estudar? Será que adianta mesmo eu sequer tentar? Ou é melhor deixar para depois, quando eu estiver em melhores condições? Quando passar a crise?


Medo da frustração, do resultado negativo, de vivenciar uma consequência indesejável também gera esse tipo de procrastinação. Nesse caso a motivação para NÃO FAZER é uma espécie de fuga. A recompensa é o alívio de não fazer, de fugir da tarefa, de evitar uma frustração. Esse é um outro tipo de procrastinação que pode estar relacionada a ansiedade. Só de projetar, no futuro, um suposto problema, você já afeta completamente a sua matemática mental da procrastinação.


Eu passei por isso uma vez quando fiquei enrolando POR MESES para ir no banco fazer uma simulação de financiamento para uma casa. Eu pensava "Mas e se não der? E se eu não puder comprar uma casa?". Só de imaginar a frustração eu não ia. E assim se passaram meses com essa tarefa sendo notificada na minha Agenda no celular. Eu simplesmente ia passando ela para a semana seguinte...


Prejuízo... se não é por amor, é pela dor?


O “cálculo” da procrastinação envolve também a percepção de prejuízo por não fazer. Se eu tenho um trabalho sem sentido e sem valor pessoal, eu procrastino agora. Mas quando chego no limite do prazo, a percepção de prejuízo aparece e a motivação surge. Isso acontece porque rola pelo menos uma percepção de prejuízo em termos de pontos perdidos em um trabalho da escola ou algo do tipo.


Por exemplo, eu posso estar sentindo dores no joelho e meu médico me receita uma injeção de algum fármaco que vai aliviar a minha dor. Eu não faço muita questão de tomar uma injeção, mas se eu não resolver logo isso, a dor vai piorar cada vez mais, então vou logo tomar essa injeção, apesar do meu desencanto com essa 'atividade'.


FECHANDO O PAPO


A procrastinação é um comportamento em que você decide não fazer uma tarefa (que precisa ser feita) AGORA, deixando essa tarefa (que precisa ser feita) para DEPOIS.


Você tem as tarefas/atividades A, B, C, D, E, e F para fazer, mas a tarefa D eu vou fazer depois.

E no dia seguinte, deixo de novo para depois.

E assim vai, até que fazer D se tornou um problema.


Agora que falamos um bom bocado sobre PROCRASTINAÇÃO, como você se sente em relação às coisas que você deixou para depois? Que tal transformar o depois em agora, pouco a pouco? Pare de começar várias coisas e comece a terminar tudo o que você já começou (ou nem começou).


Colocar essa ordem na sua rotina vai trazer um pouco mais de paz espiritual para a sua vida. Mas vá com calma, não caia na armadilha de tentar resolver tudo de uma só vez. Vá aos poucos, coisa por coisa, parte por parte, pedaço por pedaço.


E se puder, deixe um comentário aqui embaixo.

Mas deixe o comentário agora, não depois.


Se você conhece alguém que precisa assistir essas aulas e ler alguma coisa desse texto, envie esse link para essa pessoa.

Mas envie agora, não depois.


REFERÊNCIAS


MCKEOWN, Greg. Essencialismo: A disciplinada busca por menos. Editora Sextante, 2015.

MCKEOWN, Greg. Sem esforço: Torne mais fácil o que é mais importante. Editora Sextante, 2021.

GOLEMAN, Daniel. Foco: A atenção e seu papel fundamental para o sucesso. Editora Objetiva, 2014.

Pare de procrastinar de uma vez. Canal Culpa do Cérebro. Apresentado por Andrei Meyer. Publicado em 15 de julho de 2021.


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