• Tiago Rodrigues Benedetti

O que uma prova consegue provar?



Esse aqui é um papo de professor para professor e de professor para aluno. Se você fez ou ainda faz provas, seja na escola, na universidade ou qualquer outro lugar, isso aqui é do seu interesse.


O que uma prova consegue provar?


As avaliações em forma de provas (na escola) são instrumentos analíticos de aprendizagem.


Eles não avaliam a aprendizagem em todos os seus aspectos, mas pelo menos evidenciam lacunas e problemas de compreensão para que intervenções sejam possíveis. Essas intervenções são de responsabilidade de coordenações pedagógicas, professores, mas também podem ser trabalhadas em formatos de autoavaliação, por parte de estudantes mais conscientes e maduros, com mais autonomia e iniciativa. Raros os estudantes que são assim, aliás.


Quando a gente fala em aprendizagem, podemos pensar também em "níveis de aprendizagem" usando uma abordagem conhecida como Taxonomia de Bloom, que hierarquiza a aprendizagem, da mais rasa para a mais profunda, da seguinte forma:


1 Recordar

2 Compreender

3 Aplicar

4 Analisar

5 Avaliar

6 Criar


Uma prova consegue, talvez, avaliar os níveis mais rasos de aprendizagem, como o nível "recordar" e o nível "compreender". Uma questão sobre fotossíntese pode, por exemplo, verificar e avaliar a capacidade de um aluno em recordar informações e compreender um contexto relacionado a fotossíntese.


Esses níveis mais "rasos" de aprendizagem são necessários para que você possa acessar os níveis mais "profundos" de aprendizagem.


O que isso quer dizer?


Isso significa que uma avaliação que mostra que um aluno tem problemas nos níveis mais rasos, na base do conhecimento, provavelmente vai ter dificuldades na compreensão dos níveis mais profundos do conhecimento.


Traduzindo, a prova tradicional tem sim sua função, mas uma função limitada a avaliar e diagnosticar apenas os níveis mais rasos de aprendizagem, como Recordar, Compreender e Aplicar.


Afinal, se um aluno não consegue nem recordar, dificilmente vai ter ferramentas cognitivas para compreender, muito menos ainda para aplicar e de forma muito limitada vai conseguir analisar, avaliar e criar alguma coisa com isso.


A reflexão que deixo é a seguinte:


1) Devemos nos apegar tanto a provas e notas que só chegam nesses níveis mais rasos de aprendizagem?


2) Será que as provas que fazemos na escola são capazes de avaliar níveis mais profundos e complexos de aprendizagem como Analisar, Avaliar e Criar?

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