• Tiago Rodrigues Benedetti

Propostas para transformar a educação passam pela flexibilização e pela mudança de cultura

Reprodução de matéria publicada na Revista Linha Direta.


Criança estudando em casa através do computador
Photo by August de Richelieu from Pexels

Espaço Bett

O educador José Moran é um dos mais respeitados especialistas do setor educacional no país. Professor, pesquisador, conferencista e mentor de projetos de transformação na educação, é a referência nacional nos temas metodologias ativas, modelos híbridos e tecnologias digitais. Moran foi um dos palestrantes da II Jornada Bett Online, realizada entre os dias 11 e 14 de maio último, pela Bett Educar – maior evento sobre inovação e tecnologia na educação. Durante a plenária, que abordou a urgência na flexibilização e mudança de cul- tura do setor, Moran apontou a necessidade de novos modelos mentais que exigem que gestores e docentes pensem de uma forma mais aberta e arrojada.


Na opinião do pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), flexibilidade não é só optar por presencial ou on-line; significa re- desenhar a escola e a universidade como um todo, principalmente os currículos. Ele ressaltou ainda que as inovações estão ocorrendo em pequenas escalas, e se mostrou decepcionado com a postura de algumas escolas que voltaram ao presencial. "Os modelos síncronos que estão acontecendo agora são meio idiotas. A transmissão tem que ser curta e envolver os grupos, além de ter propostas diferenciadas", disparou José Moran.


De acordo com Sueli Trajano, gerente de Educação da Brainz Group, é primordial que haja investimento na formação de professo- res para que essa mudança cultural efetiva- mente ocorra. "O professor de hoje precisa pesquisar e ser o maior crítico de suas práticas pedagógicas para poder analisar a intencionalidade das propostas pedagógicas e se aprofundar nas novas abordagens e no uso de ferramentas disponíveis." Trajano atua junto à Big Brain, braço da Brainz Group, criado em 2015, que desenvolve soluções de tecnologia educacional e é a principal parceira da Microsoft na América Latina a orientar o processo de transformação digital e a criação de projetos de educação tecnológica nas instituições de ensino no continente.


Professor de Música do Ensino Infantil e Médio do Colégio Teia Multicultural – escola sediada em Perdizes, bairro de São Paulo/ SP, que já nasceu com uma proposta pedagógica inovadora –, Tanã Ribeiro é um dos educadores impactados pela metodologia desenvolvida pela Big Brain para empoderar e transformar a cultura pedagógica em uma estrutura já diferenciada.


"Como todos, tive uma formação analógica. Poder implementar práticas pedagógicas aliada à tecnologia, mas com uma proposta mais humana e voltada para o social e a arte tem sido extremamente gratificante e edificador", testemunhou Ribeiro, ao classificar as ferramentas da Microsoft como o elemento que faltava para agre- gar conhecimento para os alunos nos dias de hoje. "A sensação é de reparação. Com a chegada da tecnologia nas práticas pedagógicas diárias, e com propósito, con- seguimos garantir mais interesse e maior satisfação dos nossos alunos", comemorou o professor, que orienta um projeto de criação de música eletrônica para seus alunos, a culminar no projeto final, em uma rave virtual num palco projetado pelos próprios estudantes no Minecraft.


O sentimento é bem semelhante em Rio Branco, no Acre, onde o professor de Biologia e coordenador de Inovação do Colégio Sigma, Tiago Benedetti, passa pelo mesmo processo de transformação digital e cultural, a ponto de o próprio educador admitir que prefere as aulas virtuais. "Isso acontece quando o professor consegue se sentir à vontade na aula remota como se fosse presencialmente. Com o domínio das ferramentas e a adequação delas à proposta e às práticas pedagógicas, fica tudo mais fácil, sem armadilhas", explicou, revelando que já se preocupa, inclusive, com os desafios da nova transição, como as mudanças necessárias nas avaliações escolares. "O uso da tecnologia na educação é um caminho sem volta. Agora o professor poderá usar esse ambiente para dar aulas de reforço e fazer reposições, mesmo depois que a pandemia acabar", sugeriu Benedetti.


Para o sócio-diretor da edtech Evolucional, Vinícius Freaza, os educadores deverão, daqui para diante, enxergar o verdadeiro propósito da avaliação. Na sua opinião, é preciso mudar a mentalidade sobre a avaliação e entendê-la como parte da jornada de aprendizagem, e não apenas como uma atividade de verificação da aprendiza- gem. Freaza reconhece que o assunto não é fácil de ser abordado entre os educado- res, e defende um modelo de Data Driven Education, ou seja, uma gestão educacional com tomada de decisão e planejamento estratégico baseados na coleta e na análise de informações. "A avaliação deve ser- vir para os professores tomarem decisões; os dados que vêm das avaliações, sejam elas processuais, sejam externas, devem servir ao propósito de tomada de decisão. Para isso, é preciso adotar o conceito de assessment first, entendendo a avaliação como um instrumento de identificação de necessidades de aprendizagens."

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